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Uma homenagem ao Dia Nacional da Poesia

Entrevista com a poetisa Ana Cecília Ferreira

1. No Dia Nacional da Poesia queremos prestar uma homenagem a todos os poetas, poetisas e suas obras.
O que essa data representa para você?

O Dia Nacional da Poesia no Brasil para mim representa um tempo de festejo. Festejo interno, externo, em todas as minhas partes, uma celebração da arte da palavra. Essa data vem homenageando grandes poetas. Atualmente é no dia 31 de outubro, em homenagem ao aniversário de Carlos Drummond de Andrade.

E não tem como não ser um dia celebrativo, não tem como não ser um dia de olhar a importância da poesia e valorizar. A capacidade que a poesia tem de expressar sentimentos sendo fluida, sendo fluxo o tempo inteiro. Então é um dia muito bonito e eu tô muito feliz de celebrar esse dia.

2 – Na sua visão, qual é o papel da poesia atualmente, em um mundo tão acelerado e cada vez mais tecnológico? Como você vê o cenário da Poesia neste contexto?

Vivemos num mundo de muito imediatismo, né? A tecnologia, ela tem essa convocação da celeridade. E a poesia, contudo, a poesia, não se dissolveu com a era digital. Ela foi se reinventando, se você observar por aí, a força da poesia na era digital tem tido cada vez mais corpo. Você olha os stories, os feeds dos poetas, como os slams passeiam nessa era digital, foi trazendo outras possibilidades, os versos que antes só passeavam apenas nos livros e nos saraus, eles começaram a ganhar as telas, os áudios. As batalhas de slam nas ruas.

Então, a poesia nas redes sociais foi ganhando um espaço e tem ganhado um espaço cada vez maior. Você me pergunta como eu vejo o cenário da poesia nesse contexto. E aí eu fico pensando que o futuro, ele é verbo, né? A poesia, ela permanece como uma forma de dizer, de narrar, que ela não cabe em narrativas prontas, em discursos engessados. A poesia, ela é fluida, por isso ela passeia por muitos lugares, por isso ela passeia tanto por tantos espaços.

3 – Quais são os temas ou emoções que mais lhe movem na hora de escrever?

Eu sou uma poetisa da pluralidade, então diversas temáticas atravessam as minhas emoções, atravessam o meu corpo, como raça, intolerância religiosa, feminismo, amor, pluralidades diversas, a luta contra a homofobia, a luta contra o racismo.

Eu utilizo em mim, na minha escrita, a liberdade poética de ser atravessada e saltar as minhas emoções e os meus olhos, tocar o suficiente para que eu traga para a escrita. Então, eu tenho uma pluralidade de emoções e temáticas que me atravessam, temáticas extremamente necessárias para serem vistas e necessárias para serem discutidas, narradas, trazidas o tempo inteiro.

4 – Sua poesia tem um tom muito próprio e sensível. Como nasce um poema seu? A poetisa Ana Cecília por Ana Cecília.

Ah, a poesia em mim nasce, eu costumo dizer e sentir, que a poesia sou eu em mim. Então, a poesia ela nasce dos atravessamentos diversos que muitas vezes saltam a minha pele, atravessam o meu corpo e muitas vezes também de coisas que eu vejo, que pessoas me contam, que eu sou uma guardadora de histórias, uma colecionadora de histórias e desses lugares todos eu vou transformando em poesia. Muitas vezes eu estou sentada num lugar, um pássaro pousa numa janela, e dali eu percebo, eu não vejo só o pássaro que pousa, eu enxergo a poesia que está envolta naquele momento. Assim, a poesia nasce dos espaços que vão me sendo atravessados, e vai chegando até mim.

Ana Cecília Ferreira é mulher negra, baiana, filha da Yalorixá Elza Barbosa, é psicóloga, Gestalt-terapeuta e especialista em Saúde Mental. Escritora premiada, autora de "Parida pela Liberdade" e "Nossa Pele", integra a Academia de Cultura da Bahia e a de Letras de Lauro de Freitas e é Membro do Conselho Editorial da Editora BFK Books. Curadora da 1ª e 2ª Flilauro, idealizou projetos como Hora da História (incentivo à leitura infantil) e Do Avesso à Palavra (escrita feminina). Como podcaster (Café e Gotas de Pensamentos) e palestrante, participou do WCD 2024/2025. Reconhecida pela mídia como voz da escrita negra contemporânea, concorreu ao Prêmio Jabuti e ao Zélia Saldanha. Ativista cultural, coordena projetos anti-bullying e é frequentemente entrevistada em rádio, TV e jornais.